Quando as lágrimas chegam à gestão de topo….
Janeiro 15, 2010

Eu como consultor tenho verificado que as organizações ganham muita endurance com as crises. Este facto reflecte-se na riqueza e no aprofundamento das linhas estratégicas, no reforço das capacidades de liderança e essencialmente, em termos do planeamento, da organização e do controlo de gestão. Toda a organização ao sair (leia-se sobreviver) das crises estará garantidamente reforçada.
Uma das formas possíveis para o reforço organizativo é através da introdução de dinâmicas “planas” (leia-se, aumento da comunicação, da motivação, sensibilidade para a resolução de problemas, troca de experiências e conhecimento repartido facilmente acessível) na estrutura organizativa das empresas.
As pessoas inseridas neste tipo de dinâmicas encontram-se a par das questões e das problemáticas técnicas e de gestão da organização. Como é que as lideranças “tradicionais” indiscutíveis e incondicionais resistem a estas dinâmicas?
Presenciei, muito recentemente, uma situação, digamos “incomum”. Numa reunião que assistimos como consultores de um grupo de empresas nossa cliente, fazia-se a apresentação da carteira de projectos a desenvolver, a qual já tinha sido previamente internamente negociada nas suas grandes linhas. Estava em causa um projecto inovador, fortemente estratégico e de valor acrescentado significativo.
O líder fez uma introdução e apresentação fantástica, digamos ao seu melhor nível! … excelente! O espírito da apresentação conduzia à motivação e ao ganho interno do projecto.
Mas no final… silêncio…
O líder fez o percurso avaliativo com o olhar…
Todos os rostos estavam serenos e o silêncio dos músculos mantinham-se!
O líder solicitou a cada um comentários.
Muito a custo, cada um ia pedindo esclarecimentos sobre os projectos.
… nada de comentários!
Até que, o olhar, chegou à Directora Geral. Esta, sempre muito interventiva, mas nesta situação parecia não querer nada dizer. Muito serenamente referiu a relevância estratégica do projecto, a importância para as empresas… mas, face aos projectos em curso não tinha capacidade e disponibilidade para os executar.
De seguida, saíram-lhe 2 lágrimas comprimidas e deflagrantes!
Manuel Nascimento
Porque é que as empresas são todas iguais?
Janeiro 11, 2010

6h30, 7h00, 8h00…
Entre um despertar e umas cabeçadas de sono, é nestas viagens matinais que aclaramos o pensamento, trocamos ideias e memórias.
Pela janela passam paisagens queimadas de orvalho, banhadas de nevoeiro. Os sobreiros passam a eucaliptos, os eucaliptos a pinheiros, as planícies a montes.
“Lembro-me de, há muitos anos, ter assistido a uma aula do Professor: eu, que tinha um sentido muito crítico, quase que pulava da cadeira quando este afirma a meio da aula que as empresas eram todas iguais: AS EMPRESAS SÃO TODAS IGUAIS!”
“Realmente, parece-me que está a generalizar demasiado.”
“Claro, daí não concordar: Então agora as empresas são todas iguais, entre tante diversidade de dimensão, de produtos, de serviços, e , globalmente, com tantas diferenças culturais…” “Só mais tarde, ao trabalhar com empresas, me aprecebi: Há coisas comuns a todas: a nível interno: todas precisam de infra-estruturas, sejam elas um edifício de escritórios ou um website; precisam de recursos humanos: pode ser a pessoa que gere o website ou uma equipa de 500 colaboradores; de logística, marketing, operações, e por aí fora”
“Claro, vendo nessa perspectiva faz todo o sentido!”
“E caminhar no sentido de maximização do potencial da cadeia de valor interna, é um objectivo que deve ser comum a todas as empresas.”
“As empresas são todas iguais…”
Lá fora continuam a passar pinheiros e eucaliptos azuis, serenos, indiferentes à passagem acelerada do automóvel. Uma outra esfera da realidade, desligada de todas estas preocupações humanas…