Quem nunca se encantou com uma história? Contada à lareira, no umbral de uma porta, os livros coloridos e abertos à nossa sede de imaginar. Ainda se lembram?

Os livros que nos fizeram gente.

E o silêncio que se instalava quando a professora, mãe, avó, pronunciava as míticas palavras: “vou contar-vos uma história:”

… e… silêncio…

Era esse o poder de uma história. De nos mobilizar, transportar para um mundo paralelo (há quem diga que é mesmo um estado alterado de consciência!) e de nos induzir todos os sentimentos e sensações. Há ainda quem diga que, após ser contada um pouco, a história ganha vida própria e passa a ter a capacidade de arrastar para dentro de si e controlar quem a ouve: aquele momento de ansiedade até a narrativa atingir o seu “clímax”, para depois nos libertar levemente…

Ora agora parece que se anda a falar muito em contar histórias, embora num novo sentido: direccionado ao mundo da gestão.

Já a AIP organizou uma sequência de palestras abordando este tema, enquadradas nas conferências “Creative Learning & Innovation Marketplace”, nas quais estivemos presentes, que lançaram uns zunzuns no meio empresarial.

Dizem os novos contadores de histórias que esta é a forma mais poderosa de transmissão de conhecimento, uma vez que, ouvida, a mensagem da história fica retida na memória e é recontada por quem a ouviu de forma voluntária. Por isso mesmo deve ser utilizada no meio empresarial como forma altamente eficaz de comunicação interna e externa.

Verdade?

Mas contar uma história obedece a uma métrica, e certamente, às qualidades do seu contador.

Entre estas e apenas como um breve apontamento, podemos referir que uma boa história possui as seguntes componentes: o conflito, as emoções, e as sensações . É da responsabilidade do contador unir os pontos: pensar nos 5 sentidos, respeitar a verdade e com isto levar a história a fazer sentido em nossas vidas.

Os conflitos na história estabelecem o elo emocional com o ouvinte e o prendem ao longo do fio condutor do discurso. Embora assumir o conflito seja um risco diz-se que “Quanto mais damos, mais recebemos de volta”.

Verdade ou não, não podemos negar que há algo de encantadoramente cativante nos contadores de histórias. E, sinceramente, entre o expor e o encantar, prefiro a segunda hipótese.

Links relacionados

Antonio Nuñez: Consultor de Storytelling

Livro: Storytelling como ferramenta de Gestão

Filme: Passando da teoria à prática

 

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Será que a gestão está infectada? Será que os engenheiros são os Avatares da gestão?

Temos verificado que grandes grupos económicos portugueses possuem engenheiros na alta direcção. Uma justificação seria a falta de disponibilidade de quadros oriundos da gestão no mercado de trabalho… outros diriam que os engenheiros são multidisciplinares e possuem o perfil adequado.

Bem, vamos lá saber quem teria razão!

Uma coisa é certa é que grande parte dos engenheiros não ficam apenas pelas engenharias mas possuem um percurso académico nos domínios da gestão. E esta situação avatar da engenharia na gestão até apresenta alguma vantagem para as actividades de conduzem à tomada de decisão, pois o engenheiro – gestor, junta as ciências exactas à disciplina exigida para a tomada de decisão na gestão.

A eventual beleza destas personagens Avatar, passa pelo contributo da integração e do pensamento holístico desdobrado numa disciplina em que a rectidão do pensamento e a profunda objectividade conduz as organizações a caminhos seguros.

Às vezes, torna-se mais importante a disciplina do que os conteúdos e outras vezes, os conteúdos sobrepõem-se à disciplina.

Pelos vistos a gestão está mesmo infectada mas ao mesmo tempo parece que a engenharia consegue idealizar e facultar os antídotos para os stakeholders.

Estamos “safos” com estes avatares?!

Eu como consultor tenho verificado que as organizações ganham muita endurance com as crises. Este facto reflecte-se na riqueza e no aprofundamento das linhas estratégicas, no reforço das capacidades de liderança e essencialmente, em termos do planeamento, da organização e do controlo de gestão. Toda a organização ao sair (leia-se sobreviver) das crises estará garantidamente reforçada.

Uma das formas possíveis para o reforço organizativo é através da introdução de dinâmicas “planas” (leia-se, aumento da comunicação, da motivação, sensibilidade para a resolução de problemas, troca de experiências e conhecimento repartido facilmente acessível) na estrutura organizativa das empresas.

As pessoas inseridas neste tipo de dinâmicas encontram-se a par das questões e das problemáticas técnicas e de gestão da organização. Como é que as lideranças “tradicionais” indiscutíveis e incondicionais resistem a estas dinâmicas?

Presenciei, muito recentemente, uma situação, digamos “incomum”. Numa reunião que assistimos como consultores de um grupo de empresas nossa cliente, fazia-se a apresentação da carteira de projectos a desenvolver, a qual já tinha sido previamente internamente negociada nas suas grandes linhas. Estava em causa um projecto inovador, fortemente estratégico e de valor acrescentado significativo.

O líder fez uma introdução e apresentação fantástica, digamos ao seu melhor nível! … excelente! O espírito da apresentação conduzia à motivação e ao ganho interno do projecto.

Mas no final… silêncio…

O líder fez o percurso avaliativo com o olhar…

Todos os rostos estavam serenos e o silêncio dos músculos mantinham-se!

O líder solicitou a cada um comentários.

Muito a custo, cada um ia pedindo esclarecimentos sobre os projectos.

… nada de comentários!

Até que, o olhar, chegou à Directora Geral. Esta, sempre muito interventiva, mas nesta situação parecia não querer nada dizer. Muito serenamente referiu a relevância estratégica do projecto, a importância para as empresas… mas, face aos projectos em curso não tinha capacidade e disponibilidade para os executar.

 De seguida, saíram-lhe 2 lágrimas comprimidas e deflagrantes!

Manuel Nascimento

6h30, 7h00, 8h00…

Entre um despertar e umas cabeçadas de sono,  é  nestas viagens matinais que aclaramos o pensamento, trocamos ideias e memórias.

Pela janela passam paisagens queimadas de orvalho, banhadas de nevoeiro. Os sobreiros passam a eucaliptos, os eucaliptos a pinheiros, as planícies a montes.

“Lembro-me de, há muitos anos, ter assistido a uma aula do Professor: eu, que tinha um sentido muito crítico, quase que pulava da cadeira quando este afirma a meio da aula que as empresas eram todas iguais: AS EMPRESAS SÃO TODAS IGUAIS!”

“Realmente, parece-me que está a generalizar demasiado.”

“Claro, daí não concordar: Então agora as empresas são todas iguais, entre tante diversidade de dimensão, de produtos, de serviços, e , globalmente, com tantas diferenças culturais…”  “Só mais tarde, ao trabalhar com empresas, me aprecebi: Há coisas comuns a todas: a nível interno: todas precisam de infra-estruturas, sejam elas um edifício de escritórios ou um website; precisam de recursos humanos: pode ser a pessoa que gere o website ou uma equipa de 500 colaboradores; de logística, marketing, operações, e por aí fora”

“Claro, vendo nessa perspectiva faz todo o sentido!”

“E caminhar no sentido de maximização do potencial da cadeia de valor interna, é um objectivo que deve ser comum a todas as empresas.”

“As empresas são todas iguais…”

Lá fora continuam a passar pinheiros e eucaliptos azuis, serenos, indiferentes à passagem acelerada do automóvel. Uma outra esfera da realidade, desligada de todas estas preocupações humanas…