Abram alas aos contadores de histórias!

Janeiro 29, 2010

Quem nunca se encantou com uma história? Contada à lareira, no umbral de uma porta, os livros coloridos e abertos à nossa sede de imaginar. Ainda se lembram?

Os livros que nos fizeram gente.

E o silêncio que se instalava quando a professora, mãe, avó, pronunciava as míticas palavras: “vou contar-vos uma história:”

… e… silêncio…

Era esse o poder de uma história. De nos mobilizar, transportar para um mundo paralelo (há quem diga que é mesmo um estado alterado de consciência!) e de nos induzir todos os sentimentos e sensações. Há ainda quem diga que, após ser contada um pouco, a história ganha vida própria e passa a ter a capacidade de arrastar para dentro de si e controlar quem a ouve: aquele momento de ansiedade até a narrativa atingir o seu “clímax”, para depois nos libertar levemente…

Ora agora parece que se anda a falar muito em contar histórias, embora num novo sentido: direccionado ao mundo da gestão.

Já a AIP organizou uma sequência de palestras abordando este tema, enquadradas nas conferências “Creative Learning & Innovation Marketplace”, nas quais estivemos presentes, que lançaram uns zunzuns no meio empresarial.

Dizem os novos contadores de histórias que esta é a forma mais poderosa de transmissão de conhecimento, uma vez que, ouvida, a mensagem da história fica retida na memória e é recontada por quem a ouviu de forma voluntária. Por isso mesmo deve ser utilizada no meio empresarial como forma altamente eficaz de comunicação interna e externa.

Verdade?

Mas contar uma história obedece a uma métrica, e certamente, às qualidades do seu contador.

Entre estas e apenas como um breve apontamento, podemos referir que uma boa história possui as seguntes componentes: o conflito, as emoções, e as sensações . É da responsabilidade do contador unir os pontos: pensar nos 5 sentidos, respeitar a verdade e com isto levar a história a fazer sentido em nossas vidas.

Os conflitos na história estabelecem o elo emocional com o ouvinte e o prendem ao longo do fio condutor do discurso. Embora assumir o conflito seja um risco diz-se que “Quanto mais damos, mais recebemos de volta”.

Verdade ou não, não podemos negar que há algo de encantadoramente cativante nos contadores de histórias. E, sinceramente, entre o expor e o encantar, prefiro a segunda hipótese.

Links relacionados

Antonio Nuñez: Consultor de Storytelling

Livro: Storytelling como ferramenta de Gestão

Filme: Passando da teoria à prática

 

6 Respostas to “Abram alas aos contadores de histórias!”

  1. Nem por acaso, no número de Jan-Fev2010 da “Harvard Business Review” (pág76) vem um artigo exactamente sobre este assunto – utilizar a técnica de “playscript” (guião de teatro) para desenvolver o plano estratégico das empresas. No mínimo interessante, como conceito. E se juntamente com isto aplicarmos o conceito “Storyboarding” (Guião em ‘bonecos’) como se faz nos filmes?
    O mundo do “planeamento estratégico” não deixa de me espantar – e os actores dessa “estratégia” também são escolhidos ou estamos limitados ao “elenco” que já existe?
    Cito o falecido Sir Churchill: “However beautiful the strategy, you should occasionally look at the results”.
    Cumprimentos,

    • Olá Luís!

      Muito obrigado pela indicação, vamos sem dúvida consultar o artigo que nos indicou para ter noção da criatividade dos modelos estratégicos. Ficámos curiosos em perceber como se aplicaria um guião de “desenhos animados” a um contexto de trabalho!

      E de facto concordamos que este tema tem sido muito falado mas talvez muito menos provado. É sem duvida um modelo “sedutor”, resta agora compreender que resultados traz, que não são óbvios. Posso, no entanto, comprovar apenas de uma forma empírica que de facto há alguns resultados visíveis relacionados com a retenção e divulgação da mensagem, ou seja:

      Quando contada de uma forma atractiva para o receptor, a mensagem fica retida e é divulgada de livre vontade. Por isso é útil ligarmo-nos às histórias, de uma forma mais ou menos formal: para dar exemplos, para compreensão, para o estabelecimento de laços e todas as formas de comunicação: uma forma clara de dar vida e dimensão à mensagem.

      Na conferência foram dados exemplos quantificáveis de casos de websites ou vídeos do youtube: em particular, o de uma adolescente que contava os seus problemas e paixões em vídeo, que tinha quantidades massivas de visitas, entre outros. Também podemos fazer um pequenos exerício de memória e recordar todas as histórias (ou casos) que ouvimos e voltámos a contar e reconhecer o que há de comum entre estes: há um certo padrão comum!

      Mas, considerando a moderção, o stoytelling trata-se de uma ferramenta e não de um objectivo, e é no equilíbrio que se encontra a melhoria.

  2. João Pereira said

    No livro “Made to Stick”, o segredo da comunicação é a formula SUCCESs:

    – Simplicity
    – Unexpectedness
    – Concreteness
    – Credibility
    – Emotional
    – STORIES

    Este livro começa por analisar como os mitos urbanos nos ficam na memória, e como todos eles obdecem aos pontos SUCCESs.

    Vale a pena ler. http://www.madetostick.com/

  3. Diana Carriço said

    É super interessante o conceito e eu aplico no meu dia a dia como criativa e mesmo em termos de gestão tento implementar este conceito nos colaboradores da empresa o que tem dado alguns frutos. Este conceito está de alguma forma ligado ao design thinking & tambem creative thinking. Existem alguns livros bastante interessantes de ler nomeadamente A nova inteligência de Daniel Pink que aborda precisamente o storytelling e a sua aplicação na gestão e nos negócios do futuro bem como exercícios práticos que levam à estimulação na criação de histórias e em termos de gestão – criação de ideias, produtos, marcas entre muitas outras aplicações.

    Em Portugal há alguma dificuldade ( em algumas empresas claro ) de aplicar este tipo de conceito… existe sempre uma tendênciazinha típica para a aversão a este tipo de iniciativas sendo mais fácil aplicar a quem está a trabalhar na área creativa. Normalmente aconselho sempre a que as pessoas através de um workshop com um profissional da área tentem estimular o lado direito do cérebro ( responsavel pela criatividade ). É uma experiência fantástica e bastante enriquecedora do ponto de vista pessoal e criativo.

    Uma outra dica é se eventualmente conhecerem Scriptwriters de cinema / teatro, torna-se também interessante uma vez que eles têm técnicas para criarem guiões e escreverem histórias bastante interessantes. Existem, ainda que poucos, alguns livros nessa área que podem ser interessantes para quem realmente está interessado em desenvolver esse lado criativo na gestão.

    Os designers de serviço e alguns designers em geral também têm como metodologia o storytelling, vejam este site que tem algumas metodologias bastante interessantes para desenvolverem este lado na gestão : http://www.servicedesigntools.org/

    Espero que tenha sido útil :)!

  4. Fernando Silva said

    Acho muito interessante esse conceito. Conheço um autor, Patrick Lencioni, um dos maiores gurus da actualidade nos EUA, que usa este método para transmitir conhecimento. Ele escreve os seus livros contando uma história e termina com aplicação.
    Penso mesmo que é um método a rever com bastante interesse.

  5. […] também como este discurso é um exemplo do método de storytelling, descrito neste post) “Para ser grande, sê inteiro: nada teu exagera ou exclui. Sê todo em cada coisa. Põe […]

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