Jogo de Cintura

Fevereiro 26, 2010

Desde a final do Euro2004 que ficámos com um sabor amargo na boca quando se pronuncia a palavra “Grécia”, fruto do fanatismo dos Portugueses pelo futebol. No entanto acredito que a situação actual da Grécia muito nos irá ajudar nos próximos tempos. A situação catastrófica das contas públicas Gregas não foi prevista pelos mercados internacionais e levou à perda de muito dinheiro em investimentos, fundos e outras aplicações financeiras. Neste contexto vieram as agências de rating fazer o seu trabalho, ao avaliar o nível de risco dos mercados e nomeadamente dos países (Portugal, Espanha e outros). O alarmismo das agências de rating nos últimos tempos em muito favorece Portugal, visto que com o défice em 9 a 10% e o nível de poupança inexistente que leva o país a endividar-se constantemente na banca internacional faz com que a situação esteja efectivamente alarmante.

Alguns afirmam que os outros países da UE também apresentam valores de défices nesta ordem ou superior e como tal a situação é idêntica para todos e não compreendem o tal alarmismo das agências de rating só para Portugal! A grande diferença nesta comparação com outros países da UE corresponde ao nível de poupança que o país consegue ter e como tal a opção de endividamento na banca ou por outro lado usar a sua poupança para fazer face ao seu défice. Em Portugal não temos opção, temos de ir à banca!

A verdade é que as agências de rating preferem ameaçar agora com a possibilidade do nível de risco de Portugal aumentar porque apercebem-se que caminhamos no mesmo sentido da Grécia e assim ainda permitem a Portugal usar os seus mecanismos para inverter a situação para que não cheguemos ao “Limiar Grego” em 2 anos.

O que é engraçado e preocupa toda a comunidade decisora de Portugal é que as agências de rating ao aumentarem o risco de Portugal fazem com que Portugal contratualize empréstimos mais caros para financiar a sua dívida sobrecarregando cada vez mais as contas públicas, no entanto estes têm um papel fundamental em pressionar as contas públicas e prever uma calamidade à boa moda da Grécia antiga e da mais recente também!

Toda a gente previu uma vitória contra a Grécia no Euro2004 e foi um valente balde de água fria, no entanto, nesta nova competição de ver quem consegue sobreviver à crise temos tudo para dar 5 a 0 aos N/ congéneres mediterrâneos Gregos!

Tiago Nascimento

Estranho? À primeira vista sim, mas, pelos vistos, aquilo aparenta ser mau não o é necessariamente.

Esta semana andámos de cabelos em pé a definir o que seria o bom ou mau empreendedor, as boas ou más ideias.

Já o Tiago, o nosso especialista de empreendedorismo, se punha em pé, a cadeira saltava para trás, enquanto este exclamava “NÃO HÁ MÁS IDEIAS!!!” “Ao início, todas as ideias são boas!!!” “Ao início, quer-se quantidade! Só depois é que vamos avaliar se as ideias têm ou não potencial!”

Por isso, toca a rebuscar no caixote do lixo porque, entre os papéis amarrotados, poderá constar uma ideia milionária.

A segunda coisa que fez o Tiago pular da cadeira nessa tarde foi perguntar-lhe o que é um bom empreendedor. Lá foi a cadeira outra vez! “NÃO HÁ MAUS EMPREENDEDORES!”, “Há sim, diferentes perfis de empreendedor! Este tem é de saber rodear-se da equipa certa, que o complete!” E lá demos mão à palmatória.

E, para dar razão aos saltos do Tiago, não faltam aí histórias daquelas que aparentam ser as empresas mais estranhas do mundo: tal como esta:

O que é que se obtém quando se juntam avós, novas tecnologias e peúgas?

Um negócio de sucesso? Claro!

Mas um negócio de peúgas da avó, pode ter sucesso? A verdade é que, na Suíça, já não há quem não tenha oferecido, recebido, ou pelo menos ouvido falar dos belos pares de peúgas das avós do net.granny.

O site inica-se com a frase “Choose your granny“. Aparentemente trata-se de uma pequena rede de avós, onde se pode escolher a avó, o modelo da meia, a cor da meia, e esperar que chegue a encomenda minuciosamente tricotada pela nossa senhora preferida.

Mas quem não hesitaria em deitar fora uma ideia com os recursos humanos mais idosos e o produto mais detestado entre os presentes de Natal?

Estranho?

Lá diria o Tiago, sentado na sua cadeira, de ar satisfeito: “eu disse…”

Más ideias… ainda acreditam?

Talvez seja esta a mais badalada conversa de café.

Há umas semanas fui ver a peça “Afonso Henriques” no teatro D. Maria II, e recordo-me de uma cena na qual um dos guerreiros se levanta e exclama, após ter sido confrontado com uma questão que punha em causa e sua riqueza: “Estamos em crise!”, e o público reage com uma gargalhada unânime.

Mas o que me espantou não foi a frase incluída no guião desta peça infanto/juvenil: foi saber, em conversa com um dos actores que, desde que a peça estreou em 1982,  usam esta frase e, segundo ele, “resulta sempre”…

A crise!

Mas não é apetência, miragem ou mito, especialmente no nosso cenário económico actual. Uma análise aos indicadores leva-nos a entrar numa verdadeira situação de desespero: no emprego, na produção, no PIB, no crescimento. E ainda, um olhar mais atento ao cenário nacional prevê uma situação económica insustentável no longo prazo, fortemente relacionada com a nossa perda de competitividade.

As opiniões são muitas: Paul Krugman aponta que o euro acabou por nos tornar mais frágeis, assim como a Espanha ou a Grécia: uma vez que nossa moeda não desvaloriza (beneficiando quem produz em Portugal) temos poucas bases competir com outros países da Europa, o que pode levar a uma queda no investimento estrangeiro. Sumodip Sarkar no livro “Empreendedorismo e Inovação” visivelmente aponta para Portugal como um país na cauda da Europa em termos da relação PIB/taxa de crescimento. Indica que, se Portugal mantiver o crescimento que possui até actualmente, irá situar-se como o país com o PIB mais baixo da Europa em 20 anos. Outros ainda apontam que a situação a nível de planeamento da despesa pública irá sofrer uma reviravolta no longo prazo, por não ser possível manter a relação receitas/despesas, face a uma diminuição potencial das primeiras e um aumento das segundas pelo incremento do risco, das despesas sociais e do investimento público.

Mas vale a pena fazer malas e fugir ou desistir já à partida?

Quais as soluções?

Enquanto Krugman aponta para um corte nos salários como solução, outros indicam coisas mais positivas. No paper da Comissão Europeia “Europa 2020”, consta-se que o espaço deixado pelas empresas que fecharam por motivos da crise económica não irá ser preenchido e que terá que existir uma nova geração empresas com valores mais competitivos, mais eficientes, mais sociais e mais verdes. Sarkar, por outras palavras, concorda que num mundo em metamorfose, não é suficiente trabalhar como sempre e aponta a inovação e o empreendedorismo como a solução para o nosso desenvolvimento.

E são estas as respostas, não só para induzir a competitividade mas também para parar o aumento do desemprego e das minorias colocadas em situação de fragilidade. Como dizem os chineses: crise = perigo + oportunidade.

…e, pelo menos, enquanto nos preparamos, já nos munimos de mais tópicos de conversa de café! 

Link relacionados

Discurso de Paul Krugman sobre a crise

O balancé das pessoas…

Fevereiro 5, 2010

Um dos maiores valores que as empresas possuem é a forma como desenvolvem o seu capital humano. Os recursos humanos são confrontados com situações estruturadas ou a maioria das vezes, apenas reagem a problemas quotidianos. Quer numa ou noutra situação a competência das pessoas e das organizações é demonstrada.

Eu, nas funções que desenvolvo tenho que coordenar os recursos da empresa. Todos os recursos necessitam de especiais cuidados para serem eficientemente aplicados. Nos manuais de gestão, em livros de recursos humanos, ou na literatura de aeroporto consegue-se descobrir quase tudo de actual sobre boas práticas a aplicar no capital humano da empresa e a forma de gerir os recursos humanos.

Gostava de apresentar uma teoria.

O balancé nas pessoas.

De uma forma simples a minha teoria do balancé fundamenta-se nas oscilações das atitudes e comportamentos quando as pessoas são confrontadas com tomadas de decisão que conduzem à mudança, tal e qual de um movimento pendular se tratasse.

As pessoas quando confrontadas com as situações de mudança, ganham a segurança com o balanço, esquerda direita, para a frente e para trás. Parece que necessitam de encontrar o seu centro de gravidade.

Os portugueses são muito expressivos nesta dimensão porque utilizam o “nim”, ou seja, nem é não nem sim. Eles umas vezes dizem sim e para a mesma situação noutro contexto dizem não e oscilam entre o sim e o não.

A questão é saber se é necessário parar esse balancé, ou se o devemos aproveitar quando este se situa à esquerda ou à direita, à frente ou atrás, ou no sim ou no não!