Back to basics

Março 3, 2011

Lets go back to basics.

Vamos esquecer a corrida para aprender a caminhar. Vamos deixar as frases e argumentos para aprender a escrever, ou, até mesmo, a falar.

Lets go back.

Um exercício interessante.

Qualquer líder, qualquer profissional, qualquer pessoa. Volte a cassete em rewind e faça a pergunta.

 – O que é realmente importante?

Acredito que seria capaz de elaborar uma lista de prazeres, necessidades e prioridades: ter que alcançar determinado objectivo, ter tempo, ter dinheiro, ter mais clientes, ter colaboradores mais dedicados, deixar de ter problemas, ser respeitado, fazer o que se gosta, etc etc.

Por isso é certo que este ano, talvez por ter uma lista demasiado grande, tenha decidido voltar às bases. Reduzindo-a à sua essência e correndo o risco de ser demasiado óbvia, chego à conclusão:

“O mais importante é estar feliz.”

E digo estar e não ser, porque falo de um estado e não de uma condição.

Sei que provavelmente agora alguém esboça um irónico sorriso, sei que também outro pensa que sim, isso é muito bonito mas existem outras prioridades e não há tempo para pensar nessas coisas.

Eu digo que não. Eu digo que essa deve ser SEMPRE a principal prioridade. Para hoje.

A felicidade é uma receita feita de vários ingredientes que podem ser presentes, passados ou futuros e que definem a nossa motivação.

Lembro-me de uma importante lição que aprendi algures num voo internacional. “Em caso de despressurização, se estiver acompanhado de crianças, coloque primeiro a máscara de oxigénio em si e depois na criança”.

Dê primeiro ar a si para que o possa dar à criança.

O contrário poderia parecer mais nobre, mas seria também mais estúpido. Se não tivesse ar, como poderia dar ar aos outros?

Agora talvez consigamos fazer melhor a ponte: Se não estiver feliz, como posso tornar os que me rodeiam felizes (e, por consequência, motivados)?

Tenho conhecido empreendedores e líderes que não compreendem nem colocam essa prioridade pessoal. Gostaria de lhes explicar que, tal como a felicidade do líder é feita de ingredientes, esta própria é um ingrediente essencial ao sucesso da organização e a colaboradores mais motivados.

Pessoas motivadas são mais criativas, mais empenhadas, e funcionam melhor em equipa.

Colaboradores mais felizes não necessitam de uma remuneração tão elevada para se sentirem compensados.

Ao escrever este texto corri o risco de dizer tolices, uma vez que o escrevi por intuição, sem recurso a bibliografia. No entanto, posso dizer que me inspirei nestes dois livros, que recomendo a quem se interessa pela área:

  • Cartas para Cláudia, por Jorge Bucay (psicologia – felicidade)
  • The truth about you, por Marcus Buckingham (motivação no âmbito empresarial)

Por isso, se tem muitas “preocupações”, simplifique. Volte ao básico. Conheça-se.

Citando outra frase importante, desta vez dita por um vizinho num recado deixado numa mensagem de voz, depois da chamada ter caído:

“Pronto, já disse o que tinha a dizer.”

E soube-me bem.

Lígia Fernandes

Podemos repudiar o talento?

Setembro 9, 2010

Tenho andado a falar de talentos nas mais diversas formas, mas sempre tendo como objecto as habilidades próprias (claro de cada um) aliadas à vontade e à tenacidade de conseguir obter objectivos empresariais e pessoais.

Eu penso que, todos nós temos os nossos talentos, uns que se adequam à empresa, que são compreendidos e incentivados na empresa, mas todos nós temos pelo menos um talento reconhecido, ou em fase de reconhecimento. Assim surgem pelo menos as seguintes dúvidas:

  • Sabes qual é o teu talento?
  • Não sabes qual é o teu talento, mas o teu “chefe”, “namorada”, “pai” ou “mãe” reconheceu algum?
  • E se tens muitos talentos mas nenhum é de interesse para a empresa? Vais-te despedir para poderes aplicar o teu talento em quem o possa potenciar? Ou será que a empresa pode utilizar esse talento e potenciar esse incorporando-o num produto da empresa?

Porque a grande questão é simplesmente esta. Quem tem o direito de repudiar o talento de cada um?

Manuel Nascimento