O copo meio cheio

Maio 28, 2012

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A empresas podem transmitir positividade aos seus consumidores e tirarem partido da sensação de bem-estar agregado aos seus produtos, e desta forma contrariar o espírito depressivo que os media infligem no mercado.

Sempre existiram consumidores à procura da simplicidade, com menor orientação para o consumo e maior consciência social e ambiental. Este tipo de consumidores caracteriza-se por práticas tais como:

  • – Alimentação saudável mais natural
  • – Práticas de exercícios físicos de forma mais natural exemplo: caminhadas
  • – Consumo consciente, sem consumismo, sem exageros, consumindo só o necessário e consumindo produtos bastante duradouros (sem se preocupar com marcas)
  • – Reaproveitamento das coisas através de compra de materiais usados e realizando reciclagem
  • – Redução da utilização de carros, se possível abandono e substituição por transporte público, bicicleta, ou caminhada
  • – Doação de bens que já não necessitam
  • – Redução do consumo de energia
  • – Contemplação da natureza (exemplo: passeios e atividades ao ar livre
  • – Valorização das “pequenas coisas da vida

Este tipo de consumidor voluntário sempre foi uma minoria muitas vezes descriminada e que remava contra a maré do consumismo. A novidade é que a maré agora corre a seu favor, e é uma maré de consumidores involuntários que se vê obrigada a adotar este tipo de consumo. A única diferença agora é psicológica porque os involuntários veem o copo meio vazio e os voluntários continuam felizes porque vêm o copo meio cheio.

À partida estarão a pensar em que medida esta retração no consumo beneficia as empresas. Logicamente que não é benéfica, mas as empresas também não podem remar contra a maré e têm que levantar velas e reposicionar-se. Estamos a passar de um modelo Win:lose (empresa ganha o consumidor consome) para um modelo win:win (a empresa e consumidor ganham, ou melhor, ambos poupam)

Eis algumas sugestões para a conceção e comunicação dos seus produtos de forma a tornar este ciclo vicioso num ciclo virtuoso.

  • – Não aproveitar o momento atual para promover o seu produto com a palavra crise. O consumidor está saturado e é uma mensagem negativa que fica associado ao serviço ou produto
  • – Baixar os preços e fazer promoções desvaloriza a marca e estimula o consumo temporário, é um adiar e agravar do problema.
  • – Substituir o barato e descartável pelo duradouro, reutilizável e reciclável. O consumidor está disposto a pagar um pouco mais desde que lhe traga poupança a médio longo prazo
  • – Criar ou valorizar a customização do produto no cliente, ou seja um produto mais caro com diferentes utilidades ou capacidade de adotar diferentes formas e cores poupando na compra de vários produtos substitutos não costumizáveis
  • – Valorizar ou associar os benefícios económicos, sociais e ambientais do seu produto ou serviço indo de encontro às práticas dos consumidores atrás descritas.
  • – É mais difícil obter novos clientes por isso valorize e intensifique a comunicação e relação com os seus atuais clientes de modo a maximizar a sua satisfação e perceber como ambos podem ganhar.

Algumas destas sugestões enquadram-se numa área em grande desenvolvimento denominada psicologia positiva. Para quem quiser aprofundar esta temática deixo-vos um link de um vídeo do professor Tal Ben Shahar da Harvard Business School com a explicação dos benefícios pessoais e organizacionais desta prática.

João Margaça

Bibliografia:

Renata Silva, Marie Chauvel e T. Diana Macedo-Soares (2012) “Investigando o comportamento dos consumidores que buscam a simplicidade: Um estudo exploratório” Revista Portuguesa e Brasileira de Gestão, 11, pp. 55 -65

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Back to basics

Março 3, 2011

Lets go back to basics.

Vamos esquecer a corrida para aprender a caminhar. Vamos deixar as frases e argumentos para aprender a escrever, ou, até mesmo, a falar.

Lets go back.

Um exercício interessante.

Qualquer líder, qualquer profissional, qualquer pessoa. Volte a cassete em rewind e faça a pergunta.

 – O que é realmente importante?

Acredito que seria capaz de elaborar uma lista de prazeres, necessidades e prioridades: ter que alcançar determinado objectivo, ter tempo, ter dinheiro, ter mais clientes, ter colaboradores mais dedicados, deixar de ter problemas, ser respeitado, fazer o que se gosta, etc etc.

Por isso é certo que este ano, talvez por ter uma lista demasiado grande, tenha decidido voltar às bases. Reduzindo-a à sua essência e correndo o risco de ser demasiado óbvia, chego à conclusão:

“O mais importante é estar feliz.”

E digo estar e não ser, porque falo de um estado e não de uma condição.

Sei que provavelmente agora alguém esboça um irónico sorriso, sei que também outro pensa que sim, isso é muito bonito mas existem outras prioridades e não há tempo para pensar nessas coisas.

Eu digo que não. Eu digo que essa deve ser SEMPRE a principal prioridade. Para hoje.

A felicidade é uma receita feita de vários ingredientes que podem ser presentes, passados ou futuros e que definem a nossa motivação.

Lembro-me de uma importante lição que aprendi algures num voo internacional. “Em caso de despressurização, se estiver acompanhado de crianças, coloque primeiro a máscara de oxigénio em si e depois na criança”.

Dê primeiro ar a si para que o possa dar à criança.

O contrário poderia parecer mais nobre, mas seria também mais estúpido. Se não tivesse ar, como poderia dar ar aos outros?

Agora talvez consigamos fazer melhor a ponte: Se não estiver feliz, como posso tornar os que me rodeiam felizes (e, por consequência, motivados)?

Tenho conhecido empreendedores e líderes que não compreendem nem colocam essa prioridade pessoal. Gostaria de lhes explicar que, tal como a felicidade do líder é feita de ingredientes, esta própria é um ingrediente essencial ao sucesso da organização e a colaboradores mais motivados.

Pessoas motivadas são mais criativas, mais empenhadas, e funcionam melhor em equipa.

Colaboradores mais felizes não necessitam de uma remuneração tão elevada para se sentirem compensados.

Ao escrever este texto corri o risco de dizer tolices, uma vez que o escrevi por intuição, sem recurso a bibliografia. No entanto, posso dizer que me inspirei nestes dois livros, que recomendo a quem se interessa pela área:

  • Cartas para Cláudia, por Jorge Bucay (psicologia – felicidade)
  • The truth about you, por Marcus Buckingham (motivação no âmbito empresarial)

Por isso, se tem muitas “preocupações”, simplifique. Volte ao básico. Conheça-se.

Citando outra frase importante, desta vez dita por um vizinho num recado deixado numa mensagem de voz, depois da chamada ter caído:

“Pronto, já disse o que tinha a dizer.”

E soube-me bem.

Lígia Fernandes