Caminhos Tortuosos

Março 12, 2010

“Já repararam que as grandes figuras do nosso tempo não seguem um percurso planeado, mas sim um caminho tortuoso?”, tinha perguntado, retoricamente, o Manuel.

As palavras, pairam no ar, vão ficando, remoendo, até que nos deparamos com as histórias que o confirmam.

 Como esta, do Steve Jobs, aqui magnificamente descrita num discurso proferido aos graduados de Sanford, em 2005: uma pequena pérola sobre sucesso…

(Reparem também como este discurso é um exemplo do método de storytelling, descrito neste post)

“Para ser grande, sê inteiro: nada teu exagera ou exclui. Sê todo em cada coisa. Põe quanto és no mínimo que fazes. Assim em cada lago a lua toda brilha, porque alta vive.”

Fernando Pessoa

Quem nunca se encantou com uma história? Contada à lareira, no umbral de uma porta, os livros coloridos e abertos à nossa sede de imaginar. Ainda se lembram?

Os livros que nos fizeram gente.

E o silêncio que se instalava quando a professora, mãe, avó, pronunciava as míticas palavras: “vou contar-vos uma história:”

… e… silêncio…

Era esse o poder de uma história. De nos mobilizar, transportar para um mundo paralelo (há quem diga que é mesmo um estado alterado de consciência!) e de nos induzir todos os sentimentos e sensações. Há ainda quem diga que, após ser contada um pouco, a história ganha vida própria e passa a ter a capacidade de arrastar para dentro de si e controlar quem a ouve: aquele momento de ansiedade até a narrativa atingir o seu “clímax”, para depois nos libertar levemente…

Ora agora parece que se anda a falar muito em contar histórias, embora num novo sentido: direccionado ao mundo da gestão.

Já a AIP organizou uma sequência de palestras abordando este tema, enquadradas nas conferências “Creative Learning & Innovation Marketplace”, nas quais estivemos presentes, que lançaram uns zunzuns no meio empresarial.

Dizem os novos contadores de histórias que esta é a forma mais poderosa de transmissão de conhecimento, uma vez que, ouvida, a mensagem da história fica retida na memória e é recontada por quem a ouviu de forma voluntária. Por isso mesmo deve ser utilizada no meio empresarial como forma altamente eficaz de comunicação interna e externa.

Verdade?

Mas contar uma história obedece a uma métrica, e certamente, às qualidades do seu contador.

Entre estas e apenas como um breve apontamento, podemos referir que uma boa história possui as seguntes componentes: o conflito, as emoções, e as sensações . É da responsabilidade do contador unir os pontos: pensar nos 5 sentidos, respeitar a verdade e com isto levar a história a fazer sentido em nossas vidas.

Os conflitos na história estabelecem o elo emocional com o ouvinte e o prendem ao longo do fio condutor do discurso. Embora assumir o conflito seja um risco diz-se que “Quanto mais damos, mais recebemos de volta”.

Verdade ou não, não podemos negar que há algo de encantadoramente cativante nos contadores de histórias. E, sinceramente, entre o expor e o encantar, prefiro a segunda hipótese.

Links relacionados

Antonio Nuñez: Consultor de Storytelling

Livro: Storytelling como ferramenta de Gestão

Filme: Passando da teoria à prática